Todo mundo está sujeito a torcer o pé. Pode acontecer durante uma
caminhada normal, basta ter um buraco na calçada, a pessoa pisa torto,
força o tornozelo e... pronto! A região fica inchada, dolorida, e os
ligamentos sofrem lesões que podem ficar para sempre.
Em uma enquete feita pelo site do Bem Estar, os buracos foram eleitos
como os principais culpados pelas torções, com 23% dos votos, seguidos
pelo salto alto (18%) e pelos esportes (17%).
O preparador físico José Rubens D’Elia e o ortopedista Caio Nery foram
os convidados do Bem Estar desta sexta-feira (30) e explicaram o que são
as torções e o que elas causam. Abaixo, você vê que a torção pode
ocorrer em todas as articulações do corpo e entende por que o tornozelo é
quem fica mais exposto ao risco.

Em outras palavras, a torção é um movimento anormal dos ossos que
provoca lesão do ligamento. É menos grave que a luxação, que outro tipo
de machucado da articulação. Na luxação, o ligamento se rompe e a
articulação sai totalmente do lugar. É preciso um profissional para
reposicionar a articulação, muitas vezes com a anestesia.
As torções podem vir a provocar também fraturas, que são lesões do
tecido ósseo. Quando ocorre uma fratura, o osso literalmente é quebrado.
Isto acontece por que uma força muito grande age sobre ele – o que pode
acontecer em uma torção.
O que fazer
A primeira atitude a ser tomada após uma torção de tornozelo é retirar o calçado para afrouxar a área. A região vai ficar inchada e avermelhada, e a melhor maneira de reduzir o inchaço é com gelo. Com o frio, os vasos sanguíneos ficam mais estreitos, o que reduz o sangramento interno do ferimento e, portanto, o inchaço.
O ideal é colocar compressas de gelo, de dez minutos cada, a cada dez
minutos. É importante respeitar este intervalo para proteger a pele e as
articulações. Para a pele, aliás, também é bom envolver o gelo em algum
tecido. Compressas quentes são péssimas, pois pioram o inchaço.
Estes são apenas os primeiros socorros, pois é necessário seguir logo
para uma consulta médica. A região machucada deve ser bem protegida no
processo. No caso do tornozelo, não se deve pôr o pé no chão.
O especialista vai avaliar o inchaço para ver se o ligamento pode estar
lesionado ou se houve fratura. Em muitos casos, ele vai pedir exames de
radiografia – para verificar os ossos – e ressonância magnética – que
mostra se os ligamentos estão bem.
A recuperação dos ligamentos é lenta e depende do tipo de lesão.
Primeiro, a área fica inflamada, o que em média demora três dias.
Depois, o ligamento começa a reconstruir as fibras, alinhando-as
corretamente. Nesta fase, que pode durar até um mês e meio, é importante
manter a articulação imobilizada. Por fim, o ligamento leva até um ano
para voltar ao que era antes da contusão.
É importante respeitar os prazos de recuperação para que o tornozelo
fique forte. Quando os ligamentos não cicatrizam direito, pode ocorrer
um quadro conhecido como instabilidade crônica, que provoca novas
torções ao longo do tempo.
Exercícios
Alguns exercícios podem deixar o pé mais "inteligente" e prevenido contra as torções. Os pés precisam de estímulo. Uma pessoa sedentária, que não tem o costume de andar em terrenos acidentados, terá mais chances de torcer o pé do que alguém que está acostumado a pisar na areia ou praticar esporte.
Os exercícios de alongamento são importantes porque garantem a
elasticidade dos músculos, tendões e ligamentos, de forma que sua
resposta se torna mais sincronizada e segura. Quando ocorre torção, as
estruturas alongadas e saudáveis estão mais capacitadas para se adaptar
às condições extremas. Por isso, tem maiores chances de evitar lesões do
que as estruturas "fora de forma".
G1, São Paulo

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